quarta-feira, 9 de setembro de 2009

ALEGRIAS

Na casa do Helvison é sempre um encontro de muitas alegrias.

Hoje foi o aniversário de sua esposa, nossa amada irmã, amiga e mãe "dos do Caminho".

É assim desde o princípio de nossos encontros, no dia 10 de Fevereiro de 2008 quando nos convidou para conhecer o seu lar e logo nos rececpcionou calorosamente.

O que mais aprendo da Mara é seu modo de fazer às coisas: com amor. Pois, durante todo esse tempo, nunca a vi reclamando. Ela costuma fazer sempre um bolo para os aniversariantes, mas quando alguns destes não aparecem, ela não desanima, sempre persistente e pouco preocupada se irão ou não reconhecer o seu trabalho.

Ela tem aprendido um princípio que Jesus ensinou e bem aventurou os humildes, pois estes fazem com o coração e não se confunde com a ingenuidade, pois faz porque lhe faz bem ao coração.

Sim, amar ao outro é exatamente isto: entender que se é bom pra mim, também é bom pro próximo e vice versa. Isto como um principio básico da existência.


E, conforme Jesus, o que é bom pra nós é o é duradouro, genuíno e proveniente da experiência da bondade de Deus; por isto poder ser compartilhado com o outro.


Como disse Brennam Maning - sair do eu-centrado para o outro-centrado.


E é assim que me alegro unido a outros irmãos pela vida da Mara do Caminho, esposa do Helvison, mãe de Iago e Levison - amados do Senhor e todos nós.

Feliz,

Fernando.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O feijão de todos nós...

Sempre conheci o feijão de modo muito simples, feito pela minha querida mãe.
Os componentes eram feijão, claro , acrescido de temperos como, tomate, cebola verde, coentro, óleo e em um dia atípico (quando conseguia superar o mínimo do salário) um pedacinho de carne seca, charque ou jabá – como se chama na Bahia.

Pois bem. Passaram-se os anos desde que, com 12 anos; comecei minha peregrinação em nome da fé que uma vez me foi incutida por meus pais e que, de algum modo, me tomava como fogo além da tradição, visto que havia uma simplicidade e amor dedicado com muita voluntariedade, e, por isto, passei 12 anos de minha vida em viagens contínuas, quase sem interrupções.
Enfim, foi nesse cenário que a demanda da sobrevivência me visitou, logo senti a necessidade cozinhar feijão, desta feita, a sós, sem a intervenção de minha mãe.

E foi na Bahia que aprendi. Tendo vindo para aqui em 2004, fui recepcionado na casa de um tio meu - que já não mora mais em Salvador-; o mesmo fazia o feijão tradicional baiano, pelo qual também aprendi a fazê-lo.

O feijão baiano é um verdadeiro coquetel. Muita mistura. Muita gordura (ô povin pra gostar de gordura) ;e, sobretudo, muito sabor.

Foi na Bahia que aprendi que feijão se faz com, bacon, toicinho, pé suíno, costela de porco, charque, calabresa, folha de louro, além dos básicos temperos: coentro, corante (colorau em Pernambuco), cominho apimentado, sal (sempre substituo por tempero completo), enfim, tudo que dar cheiro, cor e cremosidade ao feijão.

Nunca tive pretensão de cozinhar o melhor feijão, mas meus amigos não concordam comigo, pois quando comem, as expressões são várias: “ensina-me! Rapaz você faz um feijão gostoso! Cara, vou marcar um dia pra você ir lá em casa fazer um feijão daquele que você faz!”
Eu, tímido, digo, o feijão não é meu. Eu sou pernambucano. Mas, não com muitas pretensões, estou aqui pra explorar o que os portugueses não perceberam: o coquetel baiano com pimenta.

Fernando Lima.
02/11/2008

A arte de lavar roupas

Para quem me vê como alguém que escreve coisas sérias e, portanto, me acham sério no tom de minhas afirmações, dissertações etc.; vai uma sugestão: a arte de lavar roupas.

Descobri que lavar roupas é uma arte que equivale a...dançar, ritualizar, exorcizar e, sobretudo, momento de percepção de si mesmo ...

Como isto ocorre?

Vejamos, o que eu faço quando vou lavar minhas roupas, vou ensinar:

Primeiro você enche o tanquinho de água e aqui já começa tudo, ou seja, você está preparando o lugar de batismo das suas roupas. Depois você põe sabão em pó (levantando-o e derramando de uma altura equivalente ao seu braço estendido de modo vertical, isto com força trepidante, como se estivesse apertando algo com força; lança as roupas dentro do tanque como num ritual batismal e, ainda, as envolve com objetivo de inundar, sem deixar nada enxuto.

Depois você retira torcendo, depois contorcendo a roupa até que toda água esteja derramada -...Aperte...Aperte...Aperte como se estivesse pegando uma mulher desejosamente.
Se achar muito romântico, aperte-as como se estivesse exorcizando algum espírito resistente.

Ou, ainda, faça como Guimarães Rosa sugere: “as lavadeiras torcem as roupas até que as mesmas fiquem enxutas; faça-se o mesmo com as palavras” – entenderam porque não vou continuar escrevendo?

Fernando Lima
01/11/2008